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01 - A LUZ SE APAGA

Quando um jogador de futebol se aposenta, diz-se que "pendurou as chuteiras"; e o que se diz de um escritor quando para de escrever? Será que podemos dizer que "pendurou a pena"? Poder pode... Mas, não é bem assim.

Enquanto tento escrever, uma mosca pousa no monitor do PC. Olho para ela e penso: ela é real, não sonha, não tem imaginação... E porque não está na minha situação: estou numa encruzilhada e sem saber para onde ir? Não posso voltar, mas, ainda tenho o pensamento e fico a imaginar que posso fazer o tempo voltar. A primeira pergunta que me vem à mente é o que eu que faria? E eu mesmo respondo: Acho que agiria diferente... Sorriria mais... Sofreria menos...   

Foi quando ouvi uma voz, vinda não se sabe de onde, que disse:
- Que garantia tem para assim pensar? Será que voltaria com a experiência adquirida?
E sem esperar resposta, continua:
- Trilharia o mesmo caminho?
- Não! – Respondo rápido, sem saber a quem e nem de onde vinha aquela voz.
Mas, para meu espanto, ouvi a mesma voz que pergunta:
- E por que não?

E, como quem acorda de um pesadelo, olho à minha volta: nada... Não havia ninguém! Somente eu, sentado à frente do computador na escuridão do cômodo e a mosca pousada no monitor... Eu havia cochilado; sim fora isso.

Porém, no embalo da pergunta, mergulho novamente em minha imaginação – olhando disfarçadamente para a mosca – e retomo o fio do pesadelo, digo, do pensamento. Seguiria um caminho diferente... Um caminho... Ah! Sei lá... Um caminho qualquer... Outro caminho...
A mosca voa para o teclado chamando minha atenção.
- Com sua experiência, é claro! – Diz ela com sarcasmo
- Sim, com minha experiência! – Respondo.
- SAI DAÍ MOSCA!  – Grito irritado, espantando-a com a mão.
Ela volta para o monitor e continua a falar:
- Sua experiência de nada vale.
- E por que não, inseto?
- Você não sabe o que o aguarda. – Diz ela.
- Mais alegrias... – Respondo.
- Acha que tiveste pouca? – Ela retruca.
- Bem... – Comecei a falar, mas ela não me deixou continuar e disse:
- Ou menos tristeza?
- É a mesma coisa! – Respondo.

Conversamos em pensamento e nos momentos de silêncio, esqueço-me dela. Mas, é nestes momentos de silêncio, ela não está mais no monitor, já está dentro de minha mente, falando, falando e falando sem parar:
- Seja qual for seu caminho, seja qual for sua vida, sempre haverá fel e mel...

Odeio moscas!


Continua ...

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