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IDENTIDADE - INTRODUÇÃO

 

O livro “Identidade” foi publicado no ano de 2015.
Lembro que depois dos afagos dos amigos e familiares, encontrei-me sozinho e experimentei uma sensação indizível ao perceber que ele não era mais meu! Eu fiquei sem nada para fazer. Fiquei me sentindo como um tacho vazio de melado que fora raspado até o fundo. Mais tarde tudo mudou.
Mas, antes disso, levei meses fazendo a revisão. Assim como escrever o livro, revisá-lo também precisou de um grande investimento de tempo, além de uma carga emocional significativa.
Enquanto o revisava, vivenciei várias vidas diferentes, passando por um conflito atrás do outro. Esse tipo de coisa nos afeta. Quando eu terminei a primeira revisão, estava tão exausto emocionalmente, que a última coisa que eu queria era fazer outra revisão.
Mas, era inevitável e com o passar dos dias, a revisão se tornou meu momento favorito. Em primeiro lugar, saber que os erros seriam corrigidos durante a revisão foi libertador. Isso me ajudou a acabar com a ideia de que tudo precisa estar perfeito já na primeira vez em que é escrito.
Emocionalmente, ficou claro que eu criei relações com os personagens. Afinal, passamos horas, dias e semanas juntos e, à medida que fazia cada revisão, eu pude conhecê-los melhor. Aquilo me permitiu entender porque eles são tão especiais para mim e permitiram-me  aprofundar a análise de meus pontos fortes e fracos. Pude acrescentar profundidade aos personagens e acho que cresci pessoalmente.
Em um mundo informatizado, em que o virtual se confunde com o real, os novos amigos passam a ser invisíveis e as informações se sucedem numa velocidade assustadora. Como entender isso? E como conviver num mundo em que as pessoas não se conhecem verdadeiramente.
Vivemos num mundo que se renova a cada dia e onde o “fast food” é a melhor opção e não têm mais os abraços que eram dados às pessoas queridas no dia dos seus aniversários e nem no Natal e Ano Novo. Ao invés disso, enviamos uma mensagem por e-mail ou WhatsApp, que é mais rápido e, por enquanto, é de graça. Assim, neste andar, o ser humano vai acabar perdendo sua capacidade de falar, de emitir sons e de se relacionar fisicamente. Isso é bom ou não? Que cada um responda.

Muitas vezes nos perdemos e ficamos sem saber quem somos, enquanto indivíduo único, numa sociedade massificada.
O livro ‘Identidade’ conta a história de um homem que vive neste mundo de hoje, que ele vê como caótico e que narra sua trajetória na vida em busca de si mesmo. Encontrar-se é para ele a razão de sua vida. Assim, de dentro do caos mental, onde não faltaram a depressão, a síndrome do pânico e outros fantasmas, o protagonista não se amedronta e continua em busca de si mesmo, pois, acredita que somente depois disso será capaz de sobreviver numa sociedade, cujos costumes são tão diferentes dos seus.
Quem nunca se sentiu diferente? Ou melhor, quem já parou para pensar que é um ser único neste mundo?
Nos vinte e três capítulos em que foi dividido o livro, encontramos obstáculos que qualquer pessoa  precisa ultrapassar quando quer obter a sua própria identidade, na busca de si mesmo.
Embora seja um livro de ficção, não raramente nos identificamos com os questionamentos do protagonista e dos demais personagens, enquanto eles procuram compreender a complexidade envolvida nessa busca. O indivíduo que não encontrar um sentido para a própria vida, nunca conseguirá viver em paz.  É nesta luta incessante que tudo é contado do ponto de vista de cada um dos personagens, que pode ser qualquer um de nós.
Não há nada de novo no livro. Continuamos sem saber de onde vem o vento. Não há nada de novo sob o sol. O que fazemos, enquanto vivemos nossa vida, é repetir o que já foi; apenas o repetimos segundo nossas experiências e pontos de vista. São apenas escolhas que fazemos no dia-a-dia, tal como quando escolhemos a roupa que vamos usar. Fazemos isto todos os dias de nossas vidas, mesmo que não tenhamos consciência disso.
Cada ser humano é único enquanto Indivíduo que é. E, como tal, tem sua maneira única de perceber o mundo ao seu redor.
Assim, nosso herói acredita na existência de uma realidade melhor, além daquela que é percebida pela experiência imediata.
E o destino, ou o acaso, lhe deu o tempo de que precisava para  ordenar seus pensamentos e encontrar-se consigo mesmo e, assim, poder enxergar o mundo de sua maneira única, como convém ao indivíduo.
Muitas vezes, durante conversas com amigos, ele fora advertido que pisava em terreno perigoso quando falava na existência de outro modo de viver. Mas, o que podia ele fazer? Era justamente a insistência neste seu modo de pensar que fazia dele um ser consciente de que era único, vivendo em uma sociedade e tendo que enfrentar a dificuldade e a incompreensão.
Se outra era a opinião da maioria, isso não queria dizer que ele estivesse errado. O principal era não deixar que fizessem morada em sua mente, ideias tidas como verdades, e que somente se firmaram como tais, pelo uso repetitivo. Toda sua vida, como narrada no livro, ele a viveu questionando tais verdades.
Ele partia da premissa de que as impressões iniciais que a criança recebe após seu nascimento, eram posteriormente modificadas através da aprendizagem, com a finalidade de adequá-la a uma sociedade, propositalmente preparada, para o indivíduo acreditar que o mundo exterior a ele é estável e que qualquer percepção diferente é falsa e deve ser rejeitada, pois, é uma ameaça à vida na coletividade.
Se acaso fosse permitido ao homem, perceber a realidade como ela é de fato, não existiria a confusão que reina em cada ser que nasce e entra em contato com este mundo exterior, artificialmente criado. Será isso possível? Ele acredita firmemente que sim, mesmo que não consiga provar para os outros. O que importava era ele mesmo conferir.
O organismo humano é constituído biologicamente, para atuar em harmonia com o meio ambiente. Um existe para o outro. Estão intrinsecamente unidos, de tal modo que qualquer alteração em um, provoca uma alteração inevitável e diretamente proporcional, no outro.
Assim, muitas pessoas têm dificuldades em ajustar-se ao ambiente social, uma vez que este é manipulado para satisfazer somente os interesses de algumas poucas pessoas e, com isso, ocasionando perturbações psíquicas nos demais, que é a maioria da massa, forçados que são a ajustar-se a normas não condizentes com suas naturais necessidades humanas.
Observam-se respostas desordenadas aos estímulos artificiais vindos do meio em que vive, em virtude de seu organismo ser formado para responder de uma maneira natural a estímulos também naturais, isto é, não manipulados.
O caos mental que muitas pessoas experimentam durante suas vidas, é devido às infrações deste corpo de regras impostas. Há sempre uma não correspondência entre aquilo que o homem sente e o que dizem que ele deveria sentir. Há um padrão ético, dogmas a serem repetidos, e aquele que dele se desvia recebe a marca de Caim.
A convivência em sociedade é sutilmente engendrada, de tal maneira que somente cada um tem conhecimento de seus próprios pecados e os assume individualmente, ao invés de possibilitar condições para eliminar o sentimento de culpa que o acompanha por toda sua vida, pois, é necessário repetir o padrão. O perdão deve partir daquele que condena. Mas, isso raramente acontece, pois, quem o condena é o mesmo que o acusa.
A forma de socializar a criança, para poder controlar o adulto, elimina muitos de seus instintos, não deixando que aflorem. E, ao assim fazer, impede aqueles instintos que beneficiariam a todos. Deste modo, a individualidade é dominada e impedida de expressar-se, em favor de um suposto bem maior que é a sociedade.
Finalmente, durante toda a vida de cada uma das pessoas sensíveis, visionárias, só resta buscar e encontrar resposta à pergunta: quem sou eu?

Continua...

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