......Afinal, quem sou eu? Quem eu fui? E a resposta é que nunca fui eu mesmo. Vivi papéis, interpretei personagens, aliás, muitos personagens, mas nunca fui eu mesmo.

......Desde cedo em minha vida, logo depois de nascer, comecei a vestir fantasias e a interpretar papéis - comecei a ser personagem, um depois do outro e foram tantos que, hoje, olho para trás numa esperança de me achar e não encontro nada. Perdi, deixei escapar a chance de viver a minha própria vida; nunca fui eu.
Mas eu não desisto e continuo a me procurar. Só uma pergunta me encanta: quando chegar a hora de me encontrar, como reconhecerei que sou eu se nunca fui de verdade?
......Uma sensação de desperdício me acompanha ao mesmo tempo em que a esperança ainda teima, desesperadamente, de esperançar.

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Assim eu continuo, com paixão, confiança e faca amolada.

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......Nasci em cinco de julho de 1946, em Itaperuna, cidade no noroeste do estado do Rio de Janeiro e com sete anos minha família mudou para Niterói. A partir de 2010 passei a usar o sobrenome Gheramer, de minha avó paterna, numa homenagem póstuma ao meu pai.

......Sou um rebelde por natureza; contra os preconceitos de meu tempo e, apesar de profundamente cristão, renunciei à Igreja. Renunciei também à autoridade do Estado sobre minha pessoa, apesar de meus princípios rígidos e de meu respeito à lei.

......Meu meio favorito de expressão é a prosa, onde valorizo a liberdade de pensamento numa sociedade que se limita ao espírito do tempo e valoriza o que desprezo - somente o sucesso material.

......Minha vida é minha obra e se dá no domínio do espírito. Descubro minhas possibilidades em mim mesmo. Não aceito sem restrições as convenções do mundo, ou os ideais mesquinhos estabelecidos pela maior parte da sociedade materialista dos homens.

......Encontro o material para meus escritos no interior de mim mesmo, onde está a essência que anima meu corpo material. É aí que vou buscar o conteúdo de minhas obras, através das quais procuro revelar que é extremamente superficial e radicalmente enganosa a ideia que o ser humano faz de si mesmo. Nos textos procuro mostrar que não somos nada daquilo que pensamos ser; que nada daquilo que já se escreveu ou pensou até hoje, se aproxima da Verdade. Antes, o homem está se afastando cada vez mais. É acreditando nisso que vou até esta região abissal, que promete o supremo prêmio do encontro comigo mesmo, saindo da pasmaceira enfadonha e tediosa, na esperança de encontrar a Verdade que me libertará.

 

Ser personagem é fácil, difícil é não ser.